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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Diagnóstico na Alfabetização para conhecer a nova turma

Mesmo antes de saber ler e escrever convencionalmente, a criança elabora hipóteses sobre o sistema de escrita. Descobrir em qual nível cada uma está é um importante passo para os professores alfabetizadores levarem todas a aprender

Anderson Moço (novaescola@atleitor.com.br), reportagem sugerida pela leitora Ana Carla de Oliveira, São Paulo, SP.

MANTENHA O FOCO  A sondagem deve ser individual, o que torna necessário propor ao resto da turma uma atividade que dispense ajuda. Foto: Marcos Rosa
Nos primeiros dias de aula, o professor alfabetizador tem uma tarefa imprescindível: descobrir o que cada aluno sabe sobre o sistema de escrita. É a chamada sondagem inicial (ou diagnóstico da turma), que permite identificar quais hipóteses sobre a língua escrita as crianças têm e com isso adequar o planejamento das aulas de acordo com as necessidades de aprendizagem. Ela permite uma avaliação e um acompanhamento dos avanços na aquisição da base alfabética e a definição das parcerias de trabalho entre os alunos. Além disso, representa um momento no qual as crianças têm a oportunidade de refletir, com a ajuda do professor, sobre aquilo que escrevem.

No Guia de Planejamento e Orientações Didáticas do programa Ler e Escrever, das secretarias estadual e municipal de Educação de São Paulo, a sondagem é descrita como uma atividade que envolve, num primeiro momento, a produção espontânea de uma lista de palavras sem apoio de outras fontes e pode ou não prever a escrita de algumas frases simples. Essa lista deve, necessariamente, ser lida pelo aluno assim que terminar de escrevê-la. O guia ressalta também que é por meio da leitura que o alfabetizador "pode observar se o aluno estabelece ou não relações entre aquilo que ele escreveu e aquilo que ele lê em voz alta, ou seja, entre a fala e a escrita".

As pesquisas sobre a psicogênese da língua escrita, realizadas por Emilia Ferreiro e Ana Teberosky no fim dos anos 1970 e publicadas no Brasil em 1984, mostraram que as crianças constroem diferentes ideias sobre a escrita, resolvem problemas e elaboram conceituações. Aí entra o que pode ser considerado uma palavra, com quantas letras ela é escrita e em qual ordem as letras devem ser colocadas. "Essas hipóteses se desenvolvem quando a criança interage com o material escrito e com leitores e escritores que dão informações e interpretam esse material", conta Regina Câmara, membro da equipe responsável pela elaboração do material do Programa Ler e Escrever e formadora de professores.

No livro Aprender a Ler e a Escrever, Ana Teberosky e Teresa Colomer ressaltam que as "hipóteses que as crianças desenvolvem constituem respostas a verdadeiros problemas conceituais, semelhantes aos que os seres humanos se colocaram ao longo da história da escrita". E completa: o desenvolvimento "ocorre por reconstruções de conhecimentos anteriores, dando lugar a novas construções". Diagnosticar o que os alunos sabem, quais hipóteses têm sobre a língua escrita e qual o caminho que vão percorrer até compreender o sistema e estar alfabetizados permite ao professor organizar intervenções adequadas à diversidade de saberes da turma. O desafio é propor atividades que não sejam tão fáceis a ponto de não darem nada a aprender, nem tão difíceis que se torne impossível para as crianças realizá-las.

As quatro hipóteses
Ferreiro e Teberosky observaram que, na tentativa de compreender o funcionamento da escrita, as crianças elaboram verdadeiras "teorias" explicativas que assim se desenvolvem: a pré-silábica, a silábica, a silábico-alfabética e a alfabética. São as chamadas hipóteses. As conclusões desse estudo são importantes do ponto de vista da prática pedagógica, pois revelam que os pequenos já começaram a pensar sobre a escrita antes mesmo de ingressar na escola e que não dependem da autorização do professor para iniciar esse processo. "Todos eles precisam de oportunidades para pôr em jogo o que sabem para se aproximar pouco a pouco desse objeto importante da cultura", ressalta Regina.

Aqueles que não percebem a escrita ainda como uma representação do falado têm a hipótese pré-silábica. Ela se caracteriza em dois níveis. No primeiro, as crianças procuram diferenciar o desenho da escrita, identificando o que é possível ler. Já no segundo nível, elas constroem dois princípios organizadores básicos que vão acompanhá-las por algum tempo durante o processo de alfabetização: o de que é preciso uma quantidade mínima de letras para que alguma coisa esteja escrita (em torno de três) e o de que haja uma variedade interna de caracteres para que se possa ler. Para escrever, a criança utiliza letras aleatórias (geralmente presentes em seu próprio nome) e sem uma quantidade definida.

COMBINE ANTES  É importante
que a criança saiba que ela pode
escrever da melhor forma que
conseguir, mesmo que não
convencionalmente.
Foto: Marcos Rosa
 
Quando a escrita representa uma relação de correspondência termo a termo entre a grafia e as partes do falado, a criança se encontra na hipótese silábica. O aluno começa a atribuir a cada parte do falado (a sílaba oral) uma grafia, ou seja, uma letra escrita.

Essa etapa também pode ser dividida em dois níveis: no primeiro, chamado silábico sem valor sonoro, ela representa cada sílaba por uma única letra qualquer, sem relação com os sons que ela representa. No segundo, o silábico com valor sonoro, há um avanço e cada sílaba é representada por uma vogal ou consoante que expressa o seu som correspondente.

A hipótese silábico-alfabética corresponde a um período de transição no qual a criança trabalha simultaneamente com duas hipóteses: a silábica e a alfabética. Ora ela escreve atribuindo a cada sílaba uma letra, ora representando as unidades sonoras menores, os fonemas. Quando a escrita representa cada fonema com uma letra, diz-se que a criança se encontra na hipótese alfabética. "Nesse estágio, os alunos ainda apresentam erros ortográficos, mas já conseguem entender a lógica do funcionamento do sistema de escrita alfabético", explica Regina.

O professor deve realizar a primeira sondagem no início do período letivo e, depois, ao fim de cada bimestre, mantendo um registro criterioso do processo de evolução das hipóteses de escrita das crianças. Ao mesmo tempo, é fundamental uma observação cotidiana e atenta do percurso dos alunos. "A atividade de sondagem representa uma espécie de retrato do processo naquele momento. E como esse processo é dinâmico e na maioria das vezes evolui muito rapidamente, pode acontecer de, apenas alguns dias depois da sondagem, um ou vários alunos terem dado um salto", ressalta Regina. "As sondagens bimestrais são importantes também por representarem dispositivos de acompanhamento das aprendizagens para os pais, bem como um retrato da qualidade do ensino para as redes, que podem ajustar seus programas de formação continuada de professores em regiões onde os resultados mostram que os estudantes não estão evoluindo da maneira desejada."

Investigação individual
O melhor é que a atividade seja feita individualmente, com o professor chamando um aluno por vez, que deve tentar escrever algumas palavras e uma frase ditadas. Enquanto isso, o resto da turma precisa estar envolvido em uma atividade diversificada em que não seja necessária a ajuda do professor (a cópia de uma cantiga, a produção de um desenho, um jogo etc.). Essa é a estratégia usada por Eduardo Araújo, na EMEB Helena Zanfelici da Silva, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Alguns dias após o retorno às aulas, ele deixa as crianças envolvidas com jogos e brincadeiras sob a supervisão da estagiária que o acompanha em sala. Alfabetizador há mais de sete anos, Araújo sabe bem o valor da sondagem inicial. "Conhecendo a situação de cada aluno, consigo pensar melhor como será a rotina do bimestre e quais as intervenções devo fazer para ajudar os menos avançados a entender a lógica do sistema de escrita."
ADOTE SINAIS Fazer luma marcação nos textos produzidos é útil para registrar como o aluno lê o que escreve e se ele se detém ou não em cada letra.
ADOTE SINAIS Fazer luma marcação
nos textos produzidos é útil para
registrar como o aluno lê o que
escreve e se ele se detém ou não
em cada letra.
 
O ditado deve ser iniciado por uma palavra polissílaba, seguida de uma trissílaba, de uma dissílaba e, por último, de uma monossílaba - sem que o professor, ao ditar, marque a separação das sílabas (leia no quadro abaixo como preparar a lista de palavras). Após a lista, é preciso ditar uma frase que envolva pelo menos uma das palavras já mencionadas, para poder observar se o aluno volta a escrevê-la de forma semelhante, ou seja, se a escrita da palavra permanece estável mesmo num contexto diferente.

No começo de 2008, a escola onde Araújo leciona passava por grande reforma. Aproveitando a curiosidade das crianças, ele resolveu trabalhar com uma lista de objetos usados na obra do prédio. As palavras ditadas foram ferramenta, martelo, ferro e pá. E a frase escolhida foi: usei a pá na reforma.



Na sondagem, a escolha certa das palavras e da frase (e da ordem em que elas serão ditadas) é essencial. "O ideal é preparar uma lista de termos de um mesmo campo semântico, ou seja, agregados por uma unidade de sentido, e uma frase adequada ao contexto desse grupo", recomenda a formadora de professores Regina Câmara, do Programa Ler e Escrever. Deve-se evitar que as palavras tenham vogais repetidas em sílabas próximas, como ABACAXI, por exemplo, por causar um grande conflito para as crianças que estão entrando no Ensino Fundamental, cuja hipótese de escrita talvez faça com que creiam ser impossível escrever algo com duas ou mais letras iguais. Por exemplo: um aluno com hipótese silábica com valor sonoro convencional, que utiliza vogais, precisaria escrever AAAI. Os monossílabos ficam para o fim do ditado. Esse cuidado deve ser tomado porque, no caso de as crianças escreverem segundo a hipótese do número mínimo de letras, poderão se recusar a escrever se tiverem de começar por ele.Observação e registro
Ficar atento às reações dos alunos enquanto escrevem também é fundamental. Anotar o que eles falam, sobretudo de forma espontânea, pode ajudar a perceber quais as ideias deles sobre o sistema de escrita. Na sondagem inicial feita com a lista de palavras relacionadas à reforma da escola, um aluno comentou com o professor Araújo:

- Ferro começa com "fe", de Felipe, não é? E termina com "o". Essa é fácil.

- Agora eu quero que você escreva "pá" - disse o professor.

O aluno parou um instante, tentou contar "as partes" da palavra com os dedos e ficou um pouco incomodado. Demorou bastante até se manifestar:

- Mas essa não dá para escrever. Fica só uma letra e isso não pode.

CRIE UMA TABELA O ideal é construir um quadro para anotar a evolução das hipóteses de cada estudante. Fotos Marcos Rosa
CRIE UMA TABELA O ideal é construir um quadro para anotar a evolução das hipóteses de cada estudante. Fotos Marcos Rosa
 
Com o comentário, o professor conseguiu perceber que a criança entrou em conflito, pois pensava que só se pode ler ou escrever palavras com três ou mais letras e, ao mesmo tempo, tinha construído a hipótese de que para cada emissão sonora uma letra basta.

Terminado o ditado, é imprescindível pedir que a criança leia o que escreveu. Por meio da interpretação dela sobre a própria escrita, durante a leitura, é que se pode observar se ela estabelece ou não relações entre o que escreveu e o que lê em voz alta - ou seja, entre o falado e o escrito - ou se lê aleatoriamente.

O professor pode anotar em uma folha à parte como ela faz a leitura, se aponta com o dedo cada uma das letras, se associa aquilo que fala à escrita etc. "Uma lista de palavras produzida pelo aluno, em situação de sondagem, sem a respectiva leitura, não permite analisar essa produção e identificar sua hipótese de escrita", afirma Regina.

Se o aluno escreveu LGA para o ditado da palavra martelo e associou cada uma das sílabas dessa palavra a uma das letras, é necessário registrar abaixo a relação de cada letra com uma sílaba. Há duas maneiras de fazer esse registro, usando marcação com sinais que indique quais as associações feitas pela criança:

LGA
(mar) (te) (lo)
Ou ainda:
LGA
| | |

É possível que o aluno utilize muitas e variadas letras, sem que o critério de escolha desses caracteres tenha alguma relação com a palavra falada. Nesse caso, se ele ler sem se deter em cada uma das letras, é necessário anotar o sentido que ele usou nessa leitura.
LPIEMAN

Esse tipo de marcação é importante, pois permite observar com mais clareza a hipótese que a criança tem e, posteriormente, os avanços que ela obtém ao longo do ano.

Atividades diversificadas
REGISTRE TUDO  A observação da produção de cada um ao longo do ano mostra com clareza como ele avançou.
 
Para que os alunos atinjam o objetivo previsto para o 1º ano - escrever alfabeticamente, ainda que com erros de ortografia -, o professor precisa acompanhar a evolução de todos, conhecendo os que demandam mais atenção, quantos têm hipóteses mais avançadas e os que estão alfabetizados. Esses últimos, particularmente, necessitam de outros conteúdos de ensino, como a ortografia.

O ideal é que seja construída uma tabela que contenha a evolução das hipóteses de cada um, comparando quanto evoluiu ao longo do ano. Com frequência, essa comparação traz agradáveis surpresas em relação aos que, apesar de não escreverem convencionalmente, realizaram avanços significativos em comparação com sua escrita do início do ano.

Com base nessa tabela, é possível também fazer uma análise crítica da rotina e das atividades que estão sendo contempladas. Será que todos interagem com outras fontes de texto e, nessa interação, refletem sobre a escrita e seu uso? Recebem informações de colegas mais experientes, que os ajudam a compreender o que está envolvido na leitura e na escrita? Têm a oportunidade de tentar ler por si mesmos? Contam com o apoio do professor, que oferece novas informações sobre a escrita e orienta seu olhar para os materiais escritos disponíveis na sala de aula, que podem ajudar no momento de decidir pelo uso de uma determinada letra? Encontram na escola um ambiente favorável à pesquisa, sendo encorajados a se arriscar e escrever segundo suas hipóteses?

É por meio das sondagens e da observação cuidadosa e constante das produções dos estudantes durante o ano que se pode saber em que momento se encontra cada um, se sua abordagem e rotina estão funcionando, qual a expectativa razoável de evolução para os que ainda se encontram em hipóteses mais primitivas e como ajustar o planejamento do trabalho para que, ao fim do ano letivo, todos estejam alfabetizados.
Veja aqui um exemplo de tabela para acompanhar o avanço do conhecimento dos alunos sobre o sistema de escrita.
Fonte: Nova Escola 
Organizado por: Professora Marcia Valeria

Como atrair os pais para a escola


Veja como é possível estreitar a relação com 

a família e formar uma parceria produtiva

Roberta Bencini (Roberta Bencini)

Foto: Daniel Aratangy
Todo educador sabe que o apoio da família é crucial no desempenho escolar. Pai que acompanha a lição de casa. Mãe que não falta a nenhuma reunião. Pais cooperativos e atentos no desempenho escolar dos filhos na medida certa. Esse é o desejo de qualquer professor.

Segundo um estudo publicado no Journal of Family Psychology, da Associação Americana de Psicologia, as crianças que freqüentam festas e reuniões familiares têm mais saúde, melhor desempenho escolar e maior estabilidade emocional. E mesmo o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), de 1999, apontou que nas escolas que contam com a parceria dos pais, onde há troca de informações com o diretor e os professores, os alunos aprendem melhor.

Diversos educadores brasileiros também defendem que a família realize um acompanhamento da escola, verificando se seus objetivos estão sendo devidamente alcançados.

Essa atuação dos pais ainda é bem rara, de acordo com os resultados de pesquisa realizada no ano passado pelo Observatório do Universo Escolar. A instituição, um braço do Instituto La Fabbrica do Brasil, parceira do Ministério da Educação, ouviu mais de 100 pais e educadores da rede pública e privada de todo país e constatou que só 13% das escolas públicas mantêm um relacionamento próximo com a família. Por outro lado, 43,7% dos pais de alunos da rede pública acreditam que, se fossem promovidos mais encontros e palestras interessantes, haveria maior integração com a escola.

Por que pais e professores ainda não conseguem se entender? Segundo a mesma pesquisa, a maior parte dos educadores atribui aos pais a origem dos problemas de disciplina. E apontam como fatores o novo modelo familiar, no qual os adultos permanecem pouco tempo em casa, ou ainda aquele que apresenta uma organização diferente da tradicional.

Confusão de papéis

Para a pedagoga Márcia Argenti Perez, do campus da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, que estuda os conflitos entre a escola e a família, a culpa é do tempo maluco em que vivemos. "Mudanças que antes ocorriam em 100 anos agora acontecem em dez e está muito difícil acompanhar as novas exigências sociais e culturais", diz.

Hoje há uma confusão de papéis, cobranças para as duas instituições e novas atribuições profissionais para você. "Parece haver, por um lado, uma incapacidade de compreensão por parte dos pais a respeito daquilo que é transmitido pela escola. Por outro lado, há uma falta de habilidade dos professores em promover essa comunicação", afirma outro estudioso do assunto, o professor Vítor Paro, também da USP.

A escola deve utilizar todas as oportunidades de contato com os pais para passar informações relevantes sobre seus objetivos, recursos, problemas e também sobre as questões pedagógicas. Só assim eles vão se sentir comprometidos com a melhoria da qualidade escolar. Muitas instituições não informam à família sobre o trabalho ali desenvolvido e isso dificulta o diálogo. "Ou os pais cobram o que não deveria ser cobrado ou ficam desmotivados e não participam de uma comunidade que não deixa claros seus objetivos e dinâmicas", afirma Márcia.

Como melhorar a relação

A discussão deve avançar na procura das melhores oportunidades de promover um encontro positivo entre pais e professores. Para isso acontecer, alguns conceitos precisam ser revistos.

Perceba a construção da família atual e não mistifique o modelo do passado como ideal.

Tenha claro que é direito dos responsáveis pelos estudantes opinar, fazer sugestões e participar de decisões sobre questões administrativas e pedagógicas da escola. "A educação é um serviço público, e o pai, um cidadão que deve acompanhar e trabalhar pela melhoria da qualidade do ensino", afirma a consultora pedagógica Raquel Volpato, de Botucatu (SP).

Apóie a Associação de Pais e Mestres, para que ela não se restrinja a apenas arrecadar dinheiro. Não dá para contar com os pais apenas na organização de festas.

Para que as reuniões tenham quórum, é preciso ter objetivos bem definidos e conhecer as famílias e a comunidade em que a escola está inserida. Planejamento é essencial. "A reunião não pode ser vista como uma prestação de contas", diz a pedagoga Márcia Argenti Perez.

Reflita sobre os preconceitos e as discriminações existentes na escola. Não é necessariamente o grau de instrução do pai e da mãe que motiva uma criança ou um adolescente a estudar, mas o interesse em participar de suas lições de casa e da vida escolar. "Como muitos pais têm um histórico de exclusão e fracasso escolar, existe medo e vergonha de trocar idéias e conversar com os educadores", afirma Márcia.

Não parta do princípio de que a família precisa ser ajudada pela escola e sim de que a escola precisa dela.

Todo diretor tem que dar conta da participação familiar e para isso a gestão não pode ser autoritária.

Amados, agora  deixe um comentário relatando como anda o relacionamento de sua escola com as famílias. Isso muito contribuirá para nosso crescimento. Estarei aguardando! Beijinhnos...

Fonte: Nova Escola
Organizado por: Professora Marcia Valeria

Avaliação Diagnóstica - Volta às Aulas



1º DIAGNÓSTICO  DE   ESCRITA DO ALUNO / 1º e 2º anos


  • à Ler o texto que contextualiza a lista.
  • à Ditar a lista com 6 palavras, sem escandi-las, ou seja, sem dar destaque às sílabas ao pronunciá-la.
  • à Ditar mantendo a ordem das palavras, de acordo com a lista abaixo.

Situação a ser apresentada para o aluno:
Joana  mudou para sua casa nova. Veja alguns objetos que ainda faltam para que sua casa fique completa.

PALAVRAS:

1)   GELADEIRA
2)   TELEVISÃO
3)   CADEIRAS
4)   FOGÃO
5)   MESA
6)   PIA
Frase:  NA ESCOLA TEM  GELADEIRA.

O VALOR DO DIAGNÓSTICO

Conhecer o nível em que está a turma é essencial durante a alfabetização – e no decorrer de toda a escolaridade. Percebendo os avanços e as dificuldades dos pequenos, você consegue planejar uma boa aula e propor atividades adequadas para levar cada um a se desenvolver ainda mais e chegar ao fim do ano lendo e escrevendo. Essa avaliação deve ser feita logo no início do ano e repetida no mínimo uma vez por bimestre. Para realizá-la adequadamente, é preciso escolher como atividade algo que seja feito regularmente, como as listas – de frutas, cores, animais etc. “O professor deve, primeiro, avisar a turma sobre o tema da lista e depois ditar as palavras, sem marcar as sílabas”. Como os alunos já conhecem o tema que deve ser posto no papel, os alunos podem pensar mais em como escrever (quantas e quais letras usar, por exemplo).
É preciso tomar o cuidado para que as sílabas próximas contenham vogais diferentes. Isso porque a maioria das crianças que começa a se familiarizar com o sistema de escrita inicia os registros apenas com vogais e acredita que é necessário usar letras diferentes para escrever. Portanto, se você ditar “arara”, muitos poderiam querer escrever A A A e achar que isso não faz sentido. Como elas acham ainda que as palavras devem ter um número mínimo de letras – por volta de três –, se você ditar só monossílabos elas também podem se recusar a escrever. Veja aqui dois exemplos possíveis: itens para um lanche coletivo (refrigerante, manteiga, queijo, pão) e bichos vistos no zoológico (rinoceronte, camelo, zebra, boi). Com essas palavras, você provoca o estudante a refletir sobre a forma de representação. Terminado o ditado, peça que cada um leia o que escreveu. “Essa leitura é tão ou mais importante do que a própria escrita, pois é ela que permite ao professor verificar se o aluno estabelece algum tipo de correspondência entre partes do falado e partes do escrito”, aponta o Profa. Para finalizar, registre tudo. Com esse material, fica mais fácil planejar atividades que façam os alunos avançar, acompanhar a evolução de cada um e montar os agrupamentos produtivos. É preciso lembrar também que, no dia-a-dia, mesmo sem essa sondagem, é possível verificar como a turma está se saindo individual e coletivamente.

ALFABETIZAÇÃO
TRABALHO EM GRUPO


O trabalho em grupo tem importante papel na aprendizagem, pois facilita a sociedade dos conhecimentos. As crianças , quando trabalham em grupos ou duplas, podem confrontar e compartilhar suas hipóteses, trocando informações.

A experiência tem mostrado que a organização da classe para a realização de atividades em grupos ou duplas requer a prévia combinação de padrões de comportamento entre professor e aluno, que deverão ser respeitados a fim de tornar o trabalho produtivo.

Segundo Teberosky & Cardoso (1), o trabalho em grupo ou dupla deverá obedecer aos seguintes critérios:

• Seleção das duplas ou dos elementos do grupo, de modo que haja possibilidade de intercâmbio.
• Ajuda para que consigam estabelecer um acordo e todos os componentes participem da tarefa.

É necessário, também, deixar claro que os alunos os controladores da produção: Enquanto dita (é o “ditante”, termo usado  por Teberosky), o outro ou os outros escrevem e acompanham a atividade, para verificar se a escrita está saindo certa.

Além do controle da forma correta de escrever ou de desempenhar a tarefa, o grupo precisa sentir-se responsável e fazer com que todos os elementos trabalhem. Para que isso aconteça, é importante a cooperação entre eles. Aquele aluno que “sabe mais” vai orientar o que “sabe menos”, executando juntos, então, a tarefa dada.

Em função desses benefícios que o trabalho em grupo faz a aprendizagem, sugerimos sempre essa estratégia em sala de aula.

TRABALHANDO COM  LETRAS

De acordo com a fala de Esther Grossi, “há fortes indícios de que, para uma boa alfabetização, as letras necessitam adquirir status de categoria lingüística independente durante o processo, ao menos de forma implícita. Teoricamente também se vê que o manejo das inter-relações entre letra, sílaba e texto são condição para a alfabetização” (2).

Entre outros motivos citados pela autora, a criança precisa conhecer as letras como entidades em si mesmas para identificar:

• O nome de cada letra e seu som correspondente (“a associação do som à letra do nome próprio, por exemplo, passa à dimensão sócio-afetiva, porque seu nome é a palavra de maior significado para ela”).
• As formas diversificadas de cada uma.
• Sua apresentação: maiúscula, minúscula, cursiva, de imprensa.
• Suas linhas: curvas, retas.

O conhecimento da seqüência em que as letras são apresentadas no alfabeto – o que foi convencionado arbitrariamente – também é importante no decorrer do processo da alfabetização, porque essa seqüência é utilizada socialmente na organização de dicionários, catálogos telefones e outras listas.

TRABALHO COM PALAVRAS

Decidimos começar com o nome próprio por ser a palavra mais significativa para a criança, pois permite contato com diferentes sílabas, diferentes tamanhos de palavras e proporciona a constatação das sílabas e até mesmo o valor sonoro de algumas consoantes.
O nome – a primeira palavra-chave que servirá de modelo – será apresentado para a criança através do crachá

O livro trabalha, alternadamente, modelo e solicitação de escrita espontânea, pois segundo Ana Teberosky:
• “A escrita a partir de modelos situa-se a meio caminho entre as atividades de interpretação e as de produção”.
• “O modelo dá informação à criança sobre as letras, tanto de sua forma convencional como do valor qualitativo indicador da presença de uma palavra”.
• “O modelo dá informação sobre a quantidade de letras necessárias para escrever o nome”.
• “O modelo dá informação sobre a variedade, posição e ordem das letras em uma escrita convencional”.
• Finalmente, “o modelo serve de ponto de referência para confrontar as idéias das crianças com a realidade convencional da escrita” (3).

TRABALHO COM TEXTOS

O aluno precisa ler, ouvir leituras e escrever para efetivamente aprender a ler e escrever. Por isso, ênfase maior no trabalho de alfabetização deve ser no texto.
Esse trabalho envolve textos informativos, poéticos, folclóricos, interativos, narrativos, normativos e ainda textos criados pelas próprias crianças, em duplas ou grupos, produzidos oralmente para, depois, serem escritos.
Selecione textos de acordo com o gosto e o interesse das crianças, levando em conta a faixa etária. Procure leituras que viabilizem o contar, recortar, encenar, recriar, desenhar e que possibilitem à criança interagir com a história, alterando os papéis de leitor / autor / ouvinte.
Propicie às crianças o contato com diversos tipos de texto. Acreditamos que assim ela poderá encontrar a legitimidade da função de cada um.
Cabe ao professor ter em mente e transmitir à criança que a leitura e a escrita não ocorrem só no interior da escola, mas, principalmente, fora dela.
Evite utilizar a leitura de histórias apenas com o pretexto de retirar do texto palavras para análise e estudo da língua.
A leitura de histórias deverá ser diária, por sua importância no desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem da leitura e da escrita e por aumentar o vocabulário da criança e sua capacidade de interpretação dos fatos.
Faça também “recortes” de situações emergentes e, a partir deles, crie textos e estude palavras-chaves. Se uma criança ganhar um gatinho, por exemplo, você poderá aproveitar para produzir um relatório com a classe e explorar a palavra gatinho.
Aproveite os acontecimentos sociais, notícias do mundo (de jornais, revistas, rádio, televisão, etc.), e explore em sala de aula os que tenham despertado o interesse das crianças.
Para trabalhar com jornais, por exemplo, traga para a classe vários exemplares inteiros e, inicialmente, em grupo, deixe as crianças explorarem todo o material, verificando as seções, as gravuras, as manchetes, etc. (pode ser que na classe existam alunos que nunca manusearam um jornal).
ria, alterando os papm a histar, recortar, encenar, recriar, desenhar e que possibilitem  em seguida, proponha aos alunos que tentem achar a notícia que, eventualmente, está sendo comentada por todos (pode ser que utilizem o recurso da gravura par identificá-la). Ficam a seu critério, de acordo com o desenvolvimento da classe, as estratégias de trabalho: reescrita do título, reescrita de trecho da notícia, ilustração da notícia, etc.
Se resolver trabalhar com uma parlenda, uma poesia, traga para a classe o livro que contém esse portador de texto e não apenas o texto mimeografado, a fim de que a criança possa explorar a capa e as ilustrações.
É importante pedir aos alunos que estudem (decorem) em casa histórias, pequenas trovas, parlendas ou letras de músicas; isso permitirá a “brincar de ler” em classe.

TÉCNICAS DE INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

A leitura é um encontro interior profundo com a mensagem escrita. O leitor raciocina, avalia, julga as idéias, aceitando-as ou rejeitando-as. É um trabalho intelectual e emocional.
A interpretação de textos deve ser permeada de perguntas, cujo conteúdo pode variar conforme a natureza e as possibilidades do texto. Há textos que favorecem a análise de causa e efeito, outros favorecem a exploração de detalhes, outros ainda a apresentação de atitudes ou julgamentos (4).

Sugestões de aspectos que podem ser explorados nos textos:

- Nome do texto.
- Nome do autor.
- Nome da editora.
- Identificação do tipo textual.
- Identificação das personagens e exploração da personalidade de  cada uma.
- Identificação da idéia principal.
- Seqüência de fatos: início, meio e fim.
- Opinião sobre o texto.

Perguntas que podem ser feitas:

Quanto ao título: Você escolheria outro?; quanto ao final da história: se você fosse o autor, modificaria ou deixaria este mesmo?

GRAVURAS

Ao interpretar uma gravura (o que é uma forma de ler), o aluno verbaliza essa leitura, colocando em palavras a sua compreensão; as relações entre as personagens e os objetos e as seqüências de fatos.
A percepção e a compreensão de relações na interpretação de imagens preparam o aluno para perceber e compreender a ação das personagens dentro de um texto, e permitem a “antecipação” na leitura.
É comum vermos uma criança pequena “ler” um livro apenas descrevendo as ilustrações ou mesmo criando uma história a partir delas.
Procure sempre fazer perguntas sobre as imagens, mas escolha questões que não sugiram as respostas e que não sejam óbvias demais. Faça perguntas que estimulem o pensamento e o raciocínio, que propiciem às crianças emitirem suas próprias opiniões, seus valores pessoais.

O ERRO

O “erro” precisa ser trabalhado e não evitado, pois é normal e faz parte do processo de construção da escrita pela criança. A postura do professor diante dele é que deve ser modificada.
É necessário deixar a criança ler e escrever espontaneamente, mesmo cometendo erros: através deles, o professor pode interpretar as hipóteses da criança sobre a escrita e avançar, oferecendo-lhes novos desafios ou retomando alguma atividade anterior.
Neste livro sempre realizamos algumas atividades de retomada de dificuldades para atender a essas diferenças de ritmo de aprendizagem.
Converse com seus alunos sobre os erros cometidos e proponha a auto- correção, sem contudo inibi-los ou deixá-los com a sensação de incapacidade.
Cabe ao professor decidir e avaliar quando fazer as correções: em alguns momentos deverão ser coletivas, em outros, individuais. No entanto, corrija sempre as lições de classe e as de casa.
Quando os alunos estiverem produzindo textos, corrija-os através da reescrita.

REESCRITA

Explique para os alunos que todo-escritor relê seus escritos várias vezes e submete seu texto a uma correção feita por outra pessoa. Fale que eles – os alunos – também precisam ler e reler seus escritos para finalmente passá-los a limpo e considerá-los prontos e acabados (5).
Outro cuidado que você precisa ter é não alterar o sentido do texto do aluno e sua idéia central, corrigindo apenas os erros ortográficos e de concordância.
O trabalho da escrita e da reescrita em grupo ou duplas favorece a criação do texto e ainda evita que os alunos se sintam melindrados na hora da correção ou reescrita na lousa. (6).
Durante o processo de produção de texto, observe cuidadosamente os elementos do grupo e sugira a alternância de papéis: o aluno que escreve (o escriba) deve também desempenhar o papel do criador (o que elabora o enredo) ou o do ditante (o que dita) para o colega.

Como trabalhar a reescrita

·        Escolha uma das produções e escreva na lousa com todos os erros.
·        Leia ou peça para o autor ou autores lerem o texto e deixe que eles percebam os erros cometidos.
·        Após identificar os erros, solicite à classe sugestões quanto à nova organização da frase ou forma correta de escrever a palavra.
·        Selecione para a reescrita a produção que contenha os erros que frequentemente ocorrem com a maioria da classe.
·        Escolha a cada dia a produção de um grupo ou dupla diferente de modo que todos tenham a chance de ter seus textos reescritos.

Os momentos de produção e reescrita devem ser vistos de maneira prazerosa e rica em termos de aquisição da língua.
Crie um clima de desafio e participação coletiva que possibilite a todos se beneficiar das atividades.

LIÇÃO DE CASA

A lição de casa não deverá ser motivo de ansiedade para a criança. Você poderá dar como lição de casa atividades que os alunos á tenham feito na classe ou variações de atividades que exijam o mesmo tipo raciocínio, a fim de que a criança possa fazê-las sozinha sem ajuda.
Você estipulará a freqüência e a quantidade de tarefas para casa. O mais importante é que a criança forme o hábito de estudar e adquira a responsabilidade ao fazer a lição de casa.

PREPARANDO O AMBIENTE DA SALA DE AULA

Ao organizar sua sala de aula para momentos de leitura, é importante criar um ambiente rico, estimulador e agradável para as crianças.
Evite colocar as carteiras umas atrás das outras, em fileiras, pois essa organização impede a socialização e dificulta o trabalho em grupo.
Organize-as em forma de meia-lua, em grupos de duas ou quatro, ou em dois semicírculos.
Todas as atividades que vamos propor a seguir deverão, na medida do possível, ser elaboradas com a participação dos alunos.

ETIQUETAS

Junto com as crianças, escrever em etiquetas os nomes dos objetos da sala de aula, fixando-as de maneira que fiquem visíveis para todos. Assim, desde o primeiro dia de aula o aluno já terá a oportunidade de assistir a atos de escrita e constatar que se escreve da esquerda para a direita, que as palavras possuem um número variado de letras, que as letras seguem determinada ordem na palavra e, sobretudo, que as coisas faladas ou nomeadas podem ser representadas através da escrita.

CARTAZES

Faça um cartaz dos Aniversariantes do Mês. Escreva o nome dos alunos nos dias e que fazem aniversários e a idade de cada um. Comemore a data no final da aula ou como combinado pelo grupo.
É importante para a formação do espírito de cidadania que, desde cedo, o aluno seja capaz de discutir com o grupo todas as atividades a serem tomadas em sala de aula que aprenda a acatar as decisões grupais e, principalmente, emitir opiniões.
Seguindo essa linha de ação, faça um cartaz dos Ajudantes do Dia. Escolha com o grupo as atividades que precisam de ajudantes para serem executadas e relacione no cartaz. Registre também os critérios estabelecidos pelas crianças e quais os encarregados dos afazeres do dia.

CANTINHOS

Organize com os alunos “cantinhos” na sala de aula para:
• sementes, desenhos de animais, exposição de trabalhos de mesinha, dobradura vasos de plantas, experiências diversas;
• Caixas ou potes de lápis de cor, giz de cera, guache, tesouras, brinquedos (de uso comum);
• caixas com revistas em quadrinhos e livros de historias; jornais e revistas para leitura, pesquisas e recortes.
Etiquete cada cantinho com o respectivo nome.
Determine com a classe as regras para a utilização dos objetos dos cantinhos.

VARAIS

Estenda varais na classe para pendurar os trabalhos das crianças: desenhos, pinturas, colagens, produção de textos.
Determine com a classe o que deverá ser pendurado no varal e quantos dias cada material ficará exposto.

Fonte: http://redeeducacaoemfoco.blogspot.com/2011/01/diagnostico-de-escrita-do-aluno.html
Organizado por: Professora Marcia Valeria

Método de Ensino - Alfabetização


Método Natural.

Dentre alguns métodos e teorias sobre a Alfabetização que venho pesquisando,encontrei algumas coisas sobre o Método Natural e achei muito interessante.Esse foi um dos assuntos mais acessados do meu blog, gostaria de dividir com vocês o texto de Gilda Rizzo, grande pesquisadora deste método no Brasil:

"Vejo muitas vezes o termo natural ser empregado de uma forma equivocada quando se refere à qualificação que se deseja dar a uma escola. Na verdade, o qualificativo “natural” nasceu de uma extensão do emprego do significado dado originalmente a um método de alfabetização criado por mim. Isso se justificava visto que a metodologia de alfabetização fora criada em função de promover a seqüência natural de transformações que ocorrem num indivíduo quando este constrói um sistema de leitura, isto é aprende a ler. Portanto “método natural” seria aquele que promove o processo natural, isso é: o processo fisiológico, de construção de sistemas operacionais de leitura. Este ‘método natural de alfabetização’ preconiza também que seja necessariamente modificado o ambiente educacional, como um todo. Visto não apenas na sua forma física, mas, sobretudo, no seu sistema ou regime de relações sociais. Isso porque julgamos essencial contar com a iniciativa do aluno no ato de aprender, na ação de procurar a solução, interessar-se voluntariamente e responsabilizar-se por ela. Para isso foi necessário que criássemos uma metodologia que permitisse ao aluno escolher a forma de realizar a sua atividade, para que se empenhasse motivado, por sua livre opção. Em decorrência deste princípio escolhemos a única dinâmica de classe possível, para que o aluno pudesse fazer escolhas e tomar decisões e, inevitavelmente, rejeitamos a postura tradicional do mestre que acredita que sabe tudo que precisa “passar” esse conhecimento ao aluno e a substituímos por uma atuação democrática do professor.
O termo natural veio emprestado do método inicialmente de alfabetização e abrangeu a escola que se propôs a estender essa filosofia às séries seguintes. Aquela onde o conteúdo é construído a partir do conhecimento existente no grupo, trocado entre os alunos e acrescido pelas leituras e pesquisa. É fixado pelos diferentes registros escritos, ilustrados e ou dramatizados, feitos por redação própria do aluno e não apenas por texto ditado pelo professor, lido no livro e treinado pelo exercício de respostas a questionários impressos no livro ou em apostilas, como ocorre na escola tradicional, que reflete nítida e exclusiva valorização da memória. Hoje, nossa metodologia é conhecida como “construtivista”.
Escola Natural é aquela onde a sala mantém um espaço livre para as rodas de conversa. Oferece grupos de mesa formados de acordo com o número de atividades do dia. Estantes e armários para guarda do material sempre acessível ao aluno e onde a turma participa da organização do mobiliário e equipamentos da sala e opina sobre a melhor arrumação para as atividades do momento. Não há lugares fixos. Os grupos se organizam em torno de um propósito escolar.
É aquela onde os cadernos registram e acumulam informações úteis à fixação do conhecimento que está sendo construído e a redação é quase exclusivamente feita, de próprio punho, pelo aluno. O objetivo se desloca da memorização e se preocupa em fazer o aluno criar métodos e sistemas próprios de aprender e de estudar. Isso é o oposto do que ocorre na escola tradicional, onde estes acumulam matéria, quase sempre copiada de textos escritos no quadro de giz, que terão que ser lidos e decorados pelos alunos depois.
A Escola Natural é um espaço social, altamente disciplinado, onde os alunos respeitam regras e limites estabelecidos por eles mesmos, de comum acordo, e onde o professor é um líder democrático, coordenador das motivações e atividades do grupo, que exerce as funções de estimulador, consultor, orientador e executor das políticas estabelecidas no grupo. Tem a responsabilidade de prover o ambiente de materiais pedagógicos e experiências educativas adequadas e a função de cobrar o cumprimento das regras estabelecidas. Isso é bem diferente do que ocorre na escola tradicional onde o mestre supostamente “passa” o “saber” aos alunos, como autoridade indiscutível do conhecimento.
A Escola Natural é uma escolha inteligente de pais que acreditam que seu filho saia mais fortalecido e seguro pela apropriação do conhecimento, construído por ele mesmo, do que se tivesse apenas memorizado e têm certeza que democracia, assim como delicadeza, não se aprende decorando frases copiadas do quadro de giz, mas se aprende vivendo democraticamente. São pais que desejam construir uma sociedade futura efetivamente democrática, composta por cidadãos democráticos, seu filhos, criados em regime democrático, dentro de sua sala, dentro do espaço escola, inseridos no seu grupo. Pais que esperam isso da educação de seus filhos.

Gilda Rizzo
(Pedagoga pós-graduada em Estimulação do Desenvolvimento/UFRJ; Especialista em Educação Infantil e Alfabetização; Autora de várias obras na área de Educação Infantil e Alfabetização e na de medicina social; Assistente da Professora Heloísa Marinho nos cursos de Estimulação do Desenvolvimento/UFRJ e de Pedagogia Especial/IERJ; Seguidora de Dewey; Kilpatric; Jean Piaget; Margaret Mahler e Vigotsky; No Brasil, amiga e companheira na linha pedagógica de Lourenço Filho; Anísio Teixeira e Paulo Freire.)



Fonte:http://redeeducacaoemfoco.blogspot.com/2011/01/metodo-naturalvoce-conhece.html
Organizado por: Professora Marcia Valeria

Coloque as Sílabas corretamente

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Fonte: http://www.1papacaio.com.br/modules.php?op=modload&name=Sala_aula&file=index&do=showpic&pid=284&orderby=titleA
Organizado por: Professora: Marcia Valeria

Ortografia - ão, je/ji








Fonte:http://amigasdaedu.blogspot.com
Organizado por: Professora Marcia Valeria

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Feliz Dia das Crianças para todos!
Responsabilidade, Honestidade e Pontualidade faz parte de nossas vidas e temos que estar atentos para não pecarmos nessas áreas. Isso faz parte do ser adulto. Mas nada nos impede de sermos crianças em alguns momentos, principalmente na humildade e sinceridade. Só que a sinceridade as vezes ofende, pois as pessoas não estão preparadas para ouvirem a verdade, mesmo que venha da boca de uma criança.

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