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sábado, 8 de maio de 2021

Quem era a Professora morta em ataque a creche no Oeste de SC

 Keli Adriane Aniecevski, 30 anos, foi atacada pelo jovem de 18 anos na entrada da escola

Por Catarina Duarte

Fonte:https://www.nsctotal.com.br/noticias/quem-era-a-professora-morta-em-ataque-a-creche-no-oeste-de-sc


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Você viu alguma notinha dos "Direito Humanos" e/ou ONU sobre a HEROÍNA Professora Keli Adriane Aniecevisk?
ONDE ESTÃO OS COLETIVOS DE MULHERES: "MEXEU COM UMA MEXEU COM TODAS"???😡
Que o Espírito Santo de Deus conforte os corações dos familiares. 🖤

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quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Ex-catadora de papelão, brasileira Doani Bertan está entre os 10 melhores professores do mundo

 

Doani Emanuela Bertan. A professora paulista Doani Emanuela Bertan está entre os 10 finalistas do Global Teacher Prize Varkey Foundation/VEJA.com

Nos idos dos anos 1980, quando a apresentadora Xuxa Meneghel cantava “A de Amor, B de Baixinho, C de Coração” na televisão em língua de sinais, a paulista Doani Emanuela Bertan teve seu primeiro contato com a linguagem para deficientes auditivos. De lá até ser eleita uma das dez melhores professoras do mundo pelo Global Teacher Prize, espécie de Prêmio Nobel da Educação, Doani precisou percorrer um longo caminho: foi catadora de papelão, artesã e telefonista antes de se tornar a primeira da família a ingressar na universidade de pedagogia. Aos 18 anos, ela fez um curso de libras e percebeu as dificuldades que os surdos enfrentam na hora de se comunicar e ali decidiu que seria professora.

“Já entrei na faculdade sabendo que ensinar a Língua Brasileira de Sinais era a minha a minha vocação. Desde cedo minha mãe me dizia que a educação era a única maneira de mudar de vida e passei a querer ser uma ferramenta dessa transformação”, conta Doani, que hoje é professora bilíngue na Escola Municipal Júlio de Mesquita Filho, na cidade de Campinas, em São Paulo.

Na escola desde 2012, Doani pode assistir a uma mudança que gerou grande impacto na vida de seus alunos. Há três anos a sala exclusiva para estudantes surdos ou com algum grau de deficiência auditiva foi extinta, dando lugar à docência compartilhada, onde surdos e ouvintes assistem a mesma aula, na mesma classe, com duas professoras. “Montamos o roteiro do que será ensinado juntas e nos dividimos na hora de falar. Essa é a verdadeira inclusão”, afirma a professora, que considera a exclusão social o maior problema enfrentado pelas escolas, especialmente nestes tempos bicudos de pandemia de Covid-19.

Antes mesmo que a quarentena impusesse a necessidade das aulas virtuais, Doani já ministrava o conteúdo dado aos seus alunos no canal do Youtube Sala 8, com cerca de seis mil inscritos. Mas, se antes ela fazia resumos de Português, Ciências, Geografia e Matemática, agora ela também promove atividades, além de ter incluído a disciplina de História. “O trabalho aumentou muito na pandemia e hoje conto com a ajuda do meu marido para editar o material. Mas é reconfortante saber que mais estudantes têm acesso a uma aula inclusiva“, diz Doani.

Se for escolhida no próximo dia 3 de dezembro como a melhor professora do mundo pelo Global Teacher Prize 2020 e ganhar o prêmio de 1 milhão de dólares, a brasileira vai investir no Sala 8 para que a plataforma, que hoje reúne conteúdos para alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, seja ampliado até o fim do Ensino Médio. “Já tenho todo o projeto na minha cabeça, só falta receber o prêmio. Quero promover a educação inclusiva para todos e ter cursos profissionalizantes para que mais alunos, surdos e ouvintes, tenham oportunidades quando ingressarem no mercado de trabalho”, conta ela, que acredita que a disputa este ano está acirrada. Este é o terceiro ano consecutivo que brasileiros aparecem na listagem dos dez finalistas, mas nenhum levou o título.

A competição, promovida pela Fundação Varkey, é vista como o Prêmio Nobel da educação e contou com mais de 12.000 inscrições de mais de 140 países diferentes. O objetivo do prêmio de um milhão de dólares é fazer com que os educadores sejam valorizados a nível internacional. “O respeito aos professores vai além de um importante dever moral – é essencial para para os resultados educacionais de um país”, reforça o fundador, Sunny Varkey. Em 2019, o campeão foi o professor Peter Tabichi, criador de um clube de ciências para crianças de diversas religiões em uma região assolada pela fome no Quênia. “Podemos ser o país do futebol e do Nobel da educação“, conclui Doani. Que assim seja.

Fonte:http://www.martinsempauta.com/2020/11/ex-catadora-de-papelao-brasileira-doani.html

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sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Garotinho causa comoção ao cair no choro durante aula online: “Completamente sobrecarregado”, diz a mãe

“Demorei mais de uma hora para conseguir acalmá-lo. Ele está completamente sobrecarregado e frustrado”, disse a mãe do garoto.


Muito têm-se falado atualmente sobre o alto nível de estresse a que estão sendo submetidos os pais durante a quarentena por ter que dar conta do home-office, dos afazeres domésticos e da educação das crianças em um momento tão delicado. Mas é preciso também prestar atenção ao estado de espírito dos pequenos, que estão enfrentando o inusitado das aulas remotas, sofrendo com a saudade da escola e dos coleguinhas, e sentindo o peso do isolamento social que já se arrasta por meses. Muitas crianças estão precisando, mais do que nunca, de uma atenção extra neste momento.

Nos Estados Unidos, um vídeo viralizou nas redes sociais justamente por exemplificar o tamanho do estresse que as crianças podem viver ao ter que dar conta das aulas online.


Nas imagens, publicadas no Facebook por uma mãe norte-americana, um garoto de 10 anos surge chorando em seu quarto, de portas fechadas. Ao abrir, a mãe o vê sentado no chão, entre livros e telas, com as mãos cobrindo o rosto, dizendo apenas “Como?”. O vídeo repercutiu bastante e já conta com mais de 1,3 mil visualizações.

Na legenda do post, a mãe conta que levou mais de uma hora para conseguir acalmar o garoto. “Ele está completamente sobrecarregado e frustrado”, escreveu a mãe do aluno do 5º ano, que preferiu não se identificar.

“Nós nos preocupamos com o bem-estar social e emocional das crianças. Se houver frustração, queremos saber sobre isso para que possamos solucionar e ajudar esses alunos”, disse a Dra. Shelley Willott, superintendente Assistente de Serviços de Aprendizagem e Suporte do distrito em que estuda a criança.

“A última coisa que queremos é que alguém fique tão frustrado que pense que não está aprendendo nada.”, finalizou Willott.

***
Imagem de capa: Foto: Reprodução

Redação CONTI outra. Com informações de Revista Crescer


Fonte:  https://www.contioutra.com/garotinho-causa-comocao-ao-cair-no-choro-durante-aula-online-completamente-sobrecarregado-diz-a-mae/?fbclid=IwAR33C_fTSL6CPXugvB3uaxdqub9LiEQUXYLZPQsa1elIsXCjihW-KmhCpMU

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Professor de 95 anos pega dois ônibus pra dar aulas de japonês de graça em Curitiba!




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Escrito por Lucas Sarzi
Ele nasceu no Japão e veio para o Paraná aos nove anos, em maio de 1940. Em Curitiba, chegou em dezembro de 1951 e aqui foi a cidade que escolheu não só para constituir família como também para escrever sua história. Hoje, aos 95 anos, Seizo Watanabe procura fazer a diferença na vida das pessoas dando aulas de japonês a partir do conhecimento que adquiriu sozinho ao longo de todos estes anos distante de sua terra natal. “Não queria morrer sem deixar isso para alguém”, destaca ele.
Essa é a homenagem da Tribuna do Paraná ao dia dos professores.


Ao vir para o Brasil, Seizo acabou estudando sozinho da forma que era possível na época. “Quando cheguei, só tinha terceiro ano de estudo no Japão, mas aqui no Brasil não me adaptei ao clima e fiquei dois anos sem poder sair de casa, por conta de uma alergia que tive. Por causa disso e pela guerra (Segunda Guerra Mundial), estudei sozinho, em casa, porque não podia reunir três japoneses, se não levavam para a cadeia”.
Em Curitiba, ele chegou quando já tinha 20 anos e aqui começou a escrever, em definitivo, sua história. Seizo casou, teve dois filhos e se aposentou como dono de uma lavanderia. “Junto disso, sempre gostei de ler. Nunca abandonei esse hábito e acredito que já tenha lido mais de mil volumes desde que cheguei em Curitiba”.

Ao vir para o Brasil, Seizo acabou estudando sozinho da forma que era possível na época. Foto: Felipe Rosa / Tribuna do Paraná

Casado há 68 anos, Seizo tem uma rotina bastante ativa com sua esposa, com quem não deixa de fazer uma série de atividades que gosta, como dançar e caminhar. “Ela mesmo é uma pessoa muito ativa. Se tem mulher com mais saúde que a minha esposa, desconheço: corre o dia todo, faz dança. Talvez esse seja o segredo, mas sentia a necessidade de passar meus conhecimentos, deixar um legado a alguém de alguma forma”, comentou o japonês.

Aulas de graça

Por conta dessa sede de ensinar e de, ao mesmo tempo, se obrigar a não ficar parado, há 17 anos Seizo desenvolve uma atividade diária que exige muito dele, mas de longe é perceptível que não lhe custa nada: morador do bairro Jardim das Américas, o idoso pega dois ônibus para chegar até a Praça Ouvidor Pardinho, no Rebouças, duas vezes por semana. O objetivo? Dar aulas de japonês para frequentadores do Centro de Atendimento ao Idoso (Cati).
Com a determinação que é característica de todo japonês, Seizo não vê o esforço de levantar cedo e ir até o Cati como algo que lhe tira energia. “Muito pelo contrário. Eu fico muito satisfeito porque o esforço de cada um, eu acho que vale muito, então cada um fazendo a sua parte me deixa muito feliz. Tenho muita gratidão”, disse ele, que leciona de forma voluntária para dois tipos de turmas: os que estão aprendendo agora e os que já têm certo conhecimento.

Muito mais do que as aulas de japonês, Seizo é um exemplo aos idosos do Cati que enxergam o professor como uma referência. Foto: Felipe Rosa / Tribuna do Paraná

Seizo avalia que, para os idosos, as aulas no Cati são extremamente importantes. “Quando o cidadão passa a fronteira, o idioma faz com que a pessoa não passe apuro na alfândega, por exemplo, mas tirando isso a pessoa adquire muito mais conhecimento. Por isso quanto mais idioma se aprende, melhor. Isso sem contar o fato de que conhecer nunca é demais. A pessoa que busca aprender mais, vive mais. Depois que aposentar, não fique sem fazer nada, procure estudar, porque isso impede que a gente se sinta desmotivado”.

Além do idioma

Para os alunos, que têm todos entre os 60 e mais de 80 anos, os encontros com Seizo são muito mais do que uma simples aula de um novo idioma. “Às vezes a gente não quer vir, levanta meio desanimado, com preguiça, mas quando lembramos o esforço que ele faz para estar na aula, a gente vem. Pra gente esse é um momento de encontrarmos pessoas, conversarmos e, além disso tudo, ainda aprendemos. Muita coisa que, por exemplo, eu ouvia com nossos pais, mas não entendia o que significava, aprendo com ele hoje”, disse Elis Miyazaki, 71 anos.

Os alunos têm entre 60 e mais de 80 anos. Foto: Felipe Rosa / Tribuna do Paraná

O pintor e desenhista aposentado Luiz Hiroshi, de 82, conheceu Seizo há 17 anos, quando dava aulas de pintura. “É um senhor admirável pela idade e por continuar como voluntário. Só tenho a agradecer porque, em termos de Japão, cultura, costume, idioma, ele entende demais. Eu, que procurei as aulas como uma forma de aprender um pouco mais, percebo que só melhoro meu conhecimento. A gente tem que sempre ter alguma atividade, se não enferruja, trava tudo, né? Seizo faz com que a gente se sinta bem”.
Quando procurou as aulas de japonês do Cati, a bancária aposentada Rosa Reiko Monma, 66 anos, disse que chegou motivada a manter a memória ativa, mas se surpreendeu com a lição de vida do professor. “Me motivou a aprender um pouco mais. Por ser japonesa, entendia um pouco, mas algumas coisas, que achava mais difícil, aprendi aqui. Às pessoas que estão se aposentando, digo que é sempre bom aprender, não parar no tempo”.

Exemplo mesmo!

A técnica de referência do Cati, Rosane de Carvalho Contin, tem Seizo como uma referência de pessoa que mostra que a vida não termina quando se aposenta. “Como aqui especificamente atendemos pessoas acima dos 60 anos, vemos um pouco de tudo, mistura um pouco das situações, mas ele é um exemplo. Ao mesmo tempo, é o perfil do idoso dos próximos anos, que mostra que aquele idoso que ficava em casa sentado, vendo TV e fazendo crochê está acabando”.
Rosane enxerga Seizo como uma forma de mostrar aos idosos que eles têm que, sim, continuar a viver após a tão esperada aposentadoria. “É uma mudança de paradigma que a própria sociedade tem que perceber, que esse idoso não é mais igual o de antigamente. Hoje os idosos participam, fazem atividades e estão cada vez mais inseridos dentro de um contexto social na cidade. E eles têm, sim, muito a contribuir. Temos que mudar a cabeça com relação aos idosos”.
Para ela, que é responsável por manter essas pessoas ativas e acreditando em si mesmas, a missão que divide com o japonês é importantíssima. “Não dá mais para ficar em casa parado. O idoso tem que sair, se relacionar, fazer parte da sociedade, se inserir nesse contexto social, pois é assim que se ajuda a prevenir doenças, manter a memória ativa. Sou testemunha da forma que chegam os idosos, com problema de autoestima, depressão, e começando a participar das aulas passam a ter outro olhar e se sentem mais capazes”.

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Quem não lê bem, não sabe matemática. E pior ainda se for ansioso. Entenda o por quê

Imagem ilustrativa.
No último exame do PISA - Programa Internacional de Avaliação de Estudantes - realizado em 2015, o Brasil ficou na 66ª colocação em matemática, com 377 pontos, atrás de México, Costa Rica e Colômbia. O programa, que avalia o desempenho de 70 países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), confirma: o brasileiro não vai bem na disciplina, e as dificuldades surgem no começo da vida escolar.
Pouco analisado, no entanto é o fato de que esse diagnóstico está diretamente relacionado à alfabetização e à condição emocional do aluno. Existem evidências científicas de que a aprendizagem da aritmética e da leitura compartilham entre si muitos mecanismos cognitivos. Ambas dependem, além de outras coisas, como a estabilidade emocional, de habilidades linguísticas.
Para discutir o assunto, a Secretaria de Alfabetização, do Ministério da Educação, formou um grupo de especialistas na 1ª Conferência Nacional de Alfabetização Baseada em Evidências (Conabe). Entre os membros, está Vitor Geraldi Haase, professor titular do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Para ele, o interesse nesse estudo revela que leitura e matemática, por exemplo, não são "coisas isoladas".
"Ter criado o grupo mostra a percepção de que as coisas não são isoladas, as pessoas falam muito em transversalidade, mas, geralmente, é só sobre bobagens. Isso realmente é uma transversalidade que é orgânica", afirma.
O órgão está implementando políticas públicas para a alfabetização e o ensino da matemática básica a partir da numeracia. O conceito leva em conta a compreensão e habilidades matemáticas para solucionar demandas da vida cotidiana.
Sabe-se que o vocabulário é algo extremamente importante para a aquisição da leitura. É, na verdade, o principal preditor da interpretação de textos. Segundo Haase, há uma série de novos estudos que revelam que o vocabulário tem, também, um papel imprescindível no discernimento da aritmética.
"Isso começa pelo fato de que a contagem é um processo verbal. A principal habilidade aritmética, a partir dos 3 anos, é começar a contar os números", explica ele. "No início, essa contagem é só uma ladainha, não tem significado quantitativo".
Aos poucos, após o primeiro passo, a criança vai associando os numerais à quantidade e, à medida que vai adquirindo experiencia com a contagem, intui os princípios das operações aritméticas. É dessa forma que se aprende matemática, afirma Haase.
A Política Nacional de Alfabetização, lançada em agosto, recomenda que a prática da numeracia tenha por fundamento a neurociência e a psicologia cognitiva. O objetivo é trabalhar com as crianças os elementos de intuição matemática de uma forma mais sofisticada juntamente com a linguagem.

Ensino

O ensino da matemática é feito por etapas para formar o raciocínio da disciplina na criança. Em um primeiro momento, é imprescindível a consciência fonêmica, ou seja, a capacidade de representar os sons das letras e palavas.
Depos disso, segundo o especialista da UFMG, o aluno é incentivado a dominar a construção dos números e a entender as relações numéricas. E, por fim, são trabalhados os padrões de quantidades: soma, subtração, multiplicação, divisão. Daí em diante, as operações se amplificam e os conteúdos se tornam mais complexos.
Para isso, Haase também conta que existem experiências sendo estudadas no mundo todo que indicam a pais e professores, antes do ensino das operações aritméticas, incluir, no dia a dia, "linguagem matemática". "Histórias de matemática, palavras que remetam às operações, como adicionar, excluir, diminuir, dividir", diz.
“A gente precisa saber se vai fazer uma compra à vista ou parcelada em cinco vezes. A matemática é para a vida. Por isso quanto mais se investe no desenvolvimento das habilidades numéricas, melhor será o desempenho das crianças e dos adultos. Os países que estão em primeiro lugar no Pisa investem muito nas habilidades cognitivas já na primeira infância”, explica Beatriz Vargas Dorneles, doutora em psicologia escolar e professora de educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Ainda de acordo com a especialista, com a formação de professores e investimento desde a idade pré-escolar, é possível detectar crianças com problemas de aprendizagem na matemática e trabalhar com elas uma filosofia de intervenção.

Ansiedade

Além de ser uma disciplina mais abstrata, o aprendizado da aritmética também esbarra em problemas psicológicos tanto do aluno como do professor. É por esse motivo, afirma Haase, que muitos estudantes acabam tendo experiências ruins com a matéria.
“As crianças que têm um temperamento mais susceptível à ansiedade, acabam desenvolvendo atitudes negativas e irritação”, explica o especialista.
No caso dos docentes, ele conta que existem estudos que revelam que a ansiedade matemática do professor é transmitida para os alunos. “Os professores são um segmento profissional extremamente vulnerável; sofrem com a ansiedade matemática. É preciso explicar para eles que isso existe e pode ter consequências no futuro das crianças. Ao mesmo tempo é necessário melhorar a formação”.

No Brasil, o cuidado na formação deve levar em conta o papel polivalente do professor atuante no período da pré-escola ao 5º ano do ensino fundamental. Nestas etapas, os professores são responsáveis pelo conteúdo de todas as disciplinas e, por isso, não têm uma formação aprofundada em matemática. O problema destas fases é a falta de domínio de conteúdo, enquanto nas fases posteriores, a didática.
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quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Professor usa a Bíblia para dar aulas de História e ganha o “Prêmio Educador Nota 10”.


WILL R. FILHO

No universo acadêmico não restam dúvidas de que a Bíblia é, sim, um documento de valor histórico inestimável. O que para os seguidores do judaísmo e cristianismo é a Palavra de Deus escrita, pesquisadores de todo mundo reconhecem ser, também, o conjunto de registros mais bem preservado e confiável sobre a antiguidade.
Diante desse entendimento, o professor Di Gianne de Oliveira Nunes revolucionou a sua maneira de dar aulas de História no projeto Regime Fechado, Visão Aberta, que deu a ele o Prêmio Educador Nota 10 em 2017. “Não tem um dia que não me lembro desse episódio”, disse o educador.
Di Gianne dá aulas de História na EE Monsenhor Alfredo Dohr, cuja extensão são salas de aula dentro do presídio, e foi nesse contexto onde um dos alunos lhe perguntou que poderia usar a Bíblia como referência para ensinar a sua disciplina.
“Tudo começou quando percebi que havia mais bíblias do que livros de História e um aluno me perguntou se a bíblia podia ser usada como fonte histórica”, disse o professor.
“Fui mostrando a eles que era necessário separar o religioso da narrativa histórica. Fomos debatendo e criando um caminho com um início, meio e fim, até culminar na nossa apresentação final”, completou.
Di Gianne notou que uma vez retratado o conteúdo da sua disciplina através dos relatos da Bíblia, conseguiu despertar o maior interesse dos alunos. Aulas sobre o Egito, Babilônia, Grécia, Roma, Assíria e tantas outras regiões, povos e culturas, encontraram pleno respaldo nos registros do livro sagrado.
“Eles contavam que falavam sobre o projeto com seus parentes, que tinham mais assunto. Eu fui notando que aquilo tudo era uma semente do conhecimento e até a autoestima deles melhorou. Quando ganhamos o prêmio foi uma coisa de louco”, afirmou o docente.
“Esse projeto é totalmente replicável em outras escolas, eu mesmo já levei para outras cidades e até mesmo salas de aula em outros presídios”, acrescenta, segundo o portal Nova Escola.
Uma vez que a Bíblia também é um documento histórico, é perfeitamente aceitável que ela seja utilizada como referência na disciplina de História, algo que segundo Di Gianne é reconhecido até pelos alunos que não professam religião alguma.
“Queira ou não, até o aluno não religioso enxerga a Bíblia como um livro admirável pelo tempo que foi escrito e sua propagação até hoje. Eu lembro que dentro de sala de aula, na escola regular, já era possível fazer algumas ligações entre a narrativa histórica e passagens da Bíblia e o aluno gostava de saber disso e sentia uma proximidade com a matéria”, conclui o professor.

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