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quarta-feira, 9 de março de 2011

Linguagem 44: Alfabetização

Alfabetização
Ivanise Meyer
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Dia 8 de setembro é o dia mundial da alfabetização. Alfabetizar ainda é um problema no meio educativo, seja nas escolas públicas ou nas particulares. Como se tudo que viesse depois dependesse dela, daí as discussões sobre o assunto. O que viria "antes" da alfabetização? E o que virá depois? Se pensar a alfabetização como o momento de aprender a "ler e escrever", há um antes e um depois...

Alfabetização é geralmente entendida apenas como processo de ensinar e aprender as relações fonema e grafema, ou seja, a compreensão da natureza alfabética da língua. Entendo a alfabetização como uma ação de "alfabetizar letrando", portanto ao disponibilizar e abrir espaço para a leitura e escrita na sala de aula, faço da alfabetização um instrumento de inserção no mundo marcado pela cultura escrita onde vivem as crianças. A questão é perceber a ação de alfabetizar letrando, não como mais um “modismo” em educação, mas como a possibilidade de ser usuário das práticas sociais de leitura e escrita. Segundo Soares (2003):

Dissociar alfabetização e letramento é um equívoco porque, no quadro das atuais concepções psicológicas, lingüísticas e psicolingüísticas de leitura e escrita, a entrada da criança (e também do adulto analfabeto) no mundo da escrita se dá simultaneamente por esses dois processos: pela aquisição do sistema convencional de escrita – a alfabetização, e pelo desenvolvimento de habilidades de uso desse sistema em atividades de leitura e escrita, nas práticas sociais que envolvem a língua escrita – o letramento. Não são processos independentes, mas interdependentes, e indissociáveis: a alfabetização se desenvolve no contexto de e por meio de práticas sociais de leitura e de escrita, isto é, através de atividades de letramento, e este, por sua vez, só pode desenvolver-se no contexto da e por meio da aprendizagem das relações fonema-grafema, isto é, em dependência da alfabetização. A concepção “tradicional” de alfabetização, traduzida nos métodos analíticos ou sintéticos, tornava os dois processos independentes, a alfabetização – a aquisição do sistema convencional de escrita, o aprender a ler como decodificação e a escrever como codificação – precedendo o letramento – o desenvolvimento de habilidades textuais de leitura e de escrita, o convívio com tipos e gêneros variados de textos e de portadores de textos, a compreensão das funções da escrita (p.12).

Lerner (2002), ajuda a refletir:

Ensinar a ler e escrever é um desafio que transcende amplamente a alfabetização em sentido restrito. O desafio que a escola enfrenta hoje é o de incorporar todos os alunos à cultura do escrito (...) é necessário reconceitualizar o objeto de ensino e construí-lo tomando como referência fundamental as práticas sociais de leitura e escrita. Pôr em cena uma versão escolar dessas práticas, que mantenha certa fidelidade à versão social (não escolar), requer que a escola funcione como uma microcomunidade de leitores e escritores (p.17).

Devemos nos preocupar em dar às crianças ocasiões de aprender. A língua escrita é muito mais que um conjunto de formas gráficas. É um modo de a língua existir, é um objeto social, é parte de nosso patrimônio cultural (Ferreiro, 2001, p. 103).

Para "decifrar" posso usar um método analítico (silábico, fônico) ou um método analítico (contos, palavração, sentenciação, natural), mas alfabetizar é muito mais do que conhecer um método. Nas leituras que fiz de Freire (2003) e Ferreiro (2001) percebi a alfabetização como um processo que emerge do uso das práticas sociais de leitura e escrita. Porém, a alfabetização foi percebida por muitos professores apenas como decifrar a relação fonema/grafema, tornando-se o grande entrave na rede pública de ensino.

É importante conhecer bem os métodos, pois as crianças são diferentes, têm formas diversas de aprender e construir significados. Muitas vezes, um método apenas não dá conta de atender a todas as crianças, por isso, saber como cada aluno compreende a leitura e escrita pode ajudar no planejamento dos encaminhamentos do professor. É preciso ter segurança no que se faz em sala de aula, para isso é necessário estudar, buscar, pesquisar e conhecer boas metodologias.

A sala de aula é um ambiente alfabetizador, assim como toda a escola. A maneira como é organizada reflete a postura do professor. "Espalhar coisas escritas" não garante aprendizagem, é preciso que os escritos tenham significado para a turma. Nas paredes posso observar o alfabetário, os textos trabalhados com a turma e as produções das crianças. O "canto de leitura" é um lugar na sala onde as crianças podem manusear diversos suportes de leitura, podendo ler sozinho ou em grupo. Ir à sala de leitura (biblioteca) com a professora deve ser planejado para realização de atividades voltadas à leitura e à oralidade. Os textos espalhados pela escola (cartazes, murais, avisos, cardápios, etc) também oferecem oportunidade de leitura aos alunos.

Algumas dicas úteis:


1) Identificar e considerar o estágio de desenvolvimento cognitivo da criança e o seu nível de evolução da escrita. Sugiro estas leituras:

2. Organizar atividades que permitam a manifestação oral e escrita da criança. Veja alguns exemplos aqui.

3. Propiciar o contato com variado material de leitura: livros, revistas, jornais, panfletos, convites, cartões, cartas, rótulos, bulas, receitas, instruções, etc. Pode-se ler mesmo antes de saber ler convencionalmente, veja aqui.

4. Ler para a criança. Leia mais clicando aqui.

5. Organizar atividades que gerem conflito cognitivo, a desequilibração e possibilitem a contrução de regras de leitura e escrita pela própria criança. Leia um exemplo clicando aqui.

6. Estimular a escrita espontânea segundo a hipótese da criança. Muitas sugestões aqui.

7. Aprofundar os conhecimentos a partir da produção e da dificuldade das crianças. Trabalhando em grupo na escrita de textos.

8. Apresentar modelos de escrita para confronto e construção da escrita. Um exemplo de ditado para escriba.

9. Conhecer, localizar e atuar na zona proximal de cada estágio. Leia sobre como estabelecer parcerias entre as crianças. Para saber mais: Vygotsky

10. Veja aqui um exemplo de tabela sugerido pelo Guia de Planejamento e Orientações Didáticas do programa Ler e Escrever, da secretaria municipal de Educação de São Paulo para acompanhar o avanço do conhecimento dos alunos sobre o sistema de escrita:

11. Nesta página você encontra os links para as apostilas e os vídeos que integram o Programa de Formação de Professores Alfabetizadores (Profa), realizado pelo Ministério da Educação (MEC), em 2001:

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Referências do texto:
FERREIRO, Emilia. Reflexões sobre alfabetização. São Paulo: Cortez, 2001.
FRANCO, Ângela et alii. Construtivismo: uma ajuda ao professor. Belo Horizonte: Lê, 1997.
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se complementam. 45. ed. São Paulo: Cortez, 2003.
LERNER, Delia. Ler e escrever na escola: o real, o possível e o necessário. Porto Alegre: Artmed, 2002.
MEYER, Ivanise C. R. Brincar & Viver: Projetos em Educação Infantil. Rio de Janeiro: WAK, 2008.
SOARES, Magda. Letramento e alfabetização: as muitas facetas. Trabalho apresentado no GT Alfabetização, Leitura e Escrita na 26.ª Reunião Anual da ANPEd, Poços de Caldas, 2003.

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